Grafiteiros expandem arte urbana dos muros à geladeira, mala de viagens e veículos no noroeste de SP

  • 06/04/2026
(Foto: Reprodução)
Grafiteiros destacam evolução da arte urbana em São José do Rio Preto (SP) O grafite já não cabe apenas nos muros de São José do Rio Preto (SP). A arte urbana, que começou como intervenção de rua, atualmente se espalha por telas, carros, geladeiras e até malas personalizadas, além de adquirir status de ganha-pão para alguns grafiteiros. A diversidade de suportes marca a trajetória de artistas pioneiros da cidade e também de gerações mais novas. Revela ainda a transformação da "street art" em linguagem versátil. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp “Tive esse pensamento lá atrás, em 1994, quando parei tudo para sobreviver do grafite. É uma forma de fazer renda. Hoje pago as contas pintando muro e outras superfícies”, conta o veterano Pecks, alcunha de Wanderson José Sereni, em entrevista ao g1. Atuando há mais de 30 anos, ele deixou de lado a marcenaria para investir nas latas de spray e acumular trabalhos marcantes espalhados pela região. “Nossa, já pintei bastante coisa. Eletrodoméstico, tecido, carros, além das fachadas de escolas e caixas d’água”, diz Pecks, tentando lembrar de tudo o que fez. Wanderson José Sereni, o Pecks, diante de mural do Clube dos Amigos dos Deficientes (CAD), trabalho marcante em São José do Rio Preto (SP) Mário Policeno Orgulhoso, ele exibe as diversas personalizações em suas redes sociais. Tem a geladeira que ganha cores, a prancha de surfe com visual “transado” e até a mala de viagem “diferentona”. Todavia, é nos murais que Pecks percebe os símbolos de sua carreira como grafiteiro. Ele descreve a fachada do Clube Amigos dos Deficientes (CAD) de Rio Preto, no Jardim Maracanã, como um dos trabalhos mais marcantes. Personalização de objetos executada pelo veterano grafiteiro Pecks, de São José do Rio Preto (SP), inclui prancha de surfe, móveis e geladeira Pecks/Arquivo pessoal Feita com o parceiro Edgar Andreatta, da crew (agrupamento) Arte Sem Limites, a obra ganhou uma releitura, em outubro de 2025, com novos desenhos, fazendo referência aos paratletas e à cultura negra. “Ser grafiteiro hoje no interior de SP é mamão-com-açúcar, é mais fácil. Na minha época, tinha muito preconceito. Já tomei muito enquadro da polícia”, afirma Pecks. Para ele, o grafite evoluiu ao ser reconhecido como "street art" ou muralismo. Com isso, cresceu a aceitação pública. Will Insano, apelido de William Cardoso, diante de grafite em parede de imóvel, em São José do Rio Preto (SP) Mário Policeno LEIA MAIS: Confeiteiros lançam desafio para atingir meta com venda de chocolates e pagar festa de casamento Menina de 7 anos transforma fé em artesanato ao produzir terços infantis Grafiteiro usa psicologia das cores para transformar muros de cidade em experiência sensorial ‘Graffiti’ “Coloque o nome graffiti em vez de grafite na matéria”, ensina William Cardoso, o Will Insano, destacando a grafia original italiana, que é a preferida pelos grafiteiros e faz lembrar das origens estrangeiras. A arte de rua surgiu na década de 1970, nos Estados Unidos, como um dos pilares do movimento hip hop – que, além do grafite, inclui a dança (break), a música (DJ) e o canto (rap). Muitos anos depois, Will Insano reproduziu a grafitagem de trens no interior de SP, gesto de rebeldia das comunidades negras e latinas de Nova York, berço do movimento. “A experiência de pintar trens foi algo único, porque o ‘graffiti’ começou nos trens de Nova York. Foi assim que me conectei à minha arte de verdade”, afirma o artista rio-pretense, formado em design gráfico. O grafiteiro Will Insano, de São José do Rio Preto (SP), mostra a versatilidade da arte urbana: pintura de trailers de lanche, veículos e telas Will Insano/Arquivo pessoal Assim como Pecks, com quem aprendeu a manusear a tinta spray quando criança, Will vive da arte desde 2008, pintando paredes, telas e objetos diversos. Ele já levou seus trabalhos para Portugal, onde morou por dois anos. “Além de trens, eu já pintei muros, telas, carros. Eu enxergo o mundo de um jeito diferente, como se pinta na rua. Cada dia existe uma superfície diferente. O ‘graffiti’ se encaixa em qualquer ambiente”, explica. Grafite em trem executado pelo rio-pretense Will Insano: referência nas origens da atividade, na Nova York dos anos 1970 Will Insano/Arquivo pessoal A diversificação dos suportes também amplia o público. Obras, que antes dependiam da circulação pelas ruas, agora podem ser levadas para dentro de casas, empresas e até transportadas em objetos do dia a dia. É o caso de suportes de madeira para sapatos, pintados por Will, que também se dedica aos projetos comerciais, como trailers de lanche e fachadas de empresas. Pinturas em baú de caminhão, em tela e em tambor: grafite encontra diferentes superfícies para se expressar, assinala o artista Edson Ramos, de Rio Preto (SP) Edson Ramos/Arquivo pessoal Projetos culturais Atualmente, Will Insano está focado em aulas para crianças e jovens nas oficinas de formação das quais é instrutor. Também participa de projetos culturais, ocasiões em que faz demonstrações ao vivo (live paint) de grafitagem. A próxima exibição será no Reggae na Casa, no dia 18 de abril, em Rio Preto. Para outro veterano de Rio Preto, Edson Ramos, a evolução permite encontrar o grafite em todo o lugar. "Tem dentro do shopping, tem grafite no ônibus. Para quem começou lá atrás, é muito bom ver a cena desse jeito", declara em entrevista à TV TEM. O grafiteiro, que se interessou pelo spray na adolescência, também vive do trabalho artístico. Além de pintar fachadas comerciais, ele vende telas para clientes de vários países. Edson Ramos, de Rio Preto (SP), que destaca a presença do grafite em várias situações do cotidiano, bem diferente do que ocorria quando começou anos atrás TV TEM/Reprodução Initial plugin text Veja mais notícias da região em g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/04/06/grafiteiros-expandem-arte-urbana-dos-muros-a-geladeira-mala-de-viagens-e-veiculos-no-noroeste-de-sp.ghtml


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